Em projeto inovador, a Galeria Index reúne artistas visuais do Distrito Federal, que ao lado outros nomes importantes no cenário artístico do Brasil compõem a exposição “Drops”, com curadoria do também artista Rudá Babau. A mostra acontece no CEASA de Brasília, numa iniciativa inédita de levar a arte para novos públicos no DF, dando continuidade ao desejo da Galeria em ocupar os espaços urbanos diversificados do Distrito Federal.


“Uma problemática relacionada ao processo próprio de feitura das obras, tanto na esfera do plano pictórico e formal, quanto no subjetivo.”
Rudá Babau, curador

São quase dois anos de tela. As constantes restrições de deslocamento do corpo reverberam como um mantra sobre o privilégio do que é físico, tátil e presente. A exposição coletiva “Drops” vem de uma tentativa de explorar o charme da materialidade, em trabalhos que remetem ou evidenciam o vestígio, o registro e a transposição entre planos pictóricos, vídeos, documentos e os drops de NFTs nas blockchains*.

A estátua do Colosso de Rodes, uma obra que representava o Deus Sol na mitologia grega, não tem registro imagético produzido em seu tempo, apenas relatos de sua construção (280 a.C.), sua destruição devido a um terremoto (226 a.C.), além dos oitocentos anos em que a estátua caída foi visitada por viajantes de todo o mundo. Caída, porém, uma das sete maravilhas do mundo antigo, majéstica, até que em 653 d.C. um Califa árabe que conquistou a região de Rodes vendesse os restos de metal da estátua, que foram transportados por uma caravana de 400 camelos.

Assim como os vestígios da estátua do Colosso de Rodes, gravuras, antes da prensa, já levavam o registro imagético para outros espaços e tempos, “virtualizando” a contemplação da arte. Trabalhos como por exemplo a “Torre de Tatlin”, projeto de Vladimir Tatlin que seria a sede monumental da Terceira Internacional na então Petrogrado (movimento que reunia os partidos comunistas russos), tem cinco maquetes expostas pelo mundo hoje, também representando os trabalhos que existem como possibilidade, tendo os registros do projeto circulando nos espaços museológicos e no nosso imaginário.

Em “Drops”, vemos um arranjo de trabalhos que permite abordar o registro como uma problemática relacionada ao processo próprio de feitura das obras, tanto na esfera do plano pictórico e formal, quanto no subjetivo. Já a expografia, foi pensada de forma a ser vista apenas de frente, destacando os planos do expositivo como uma espécie de linha condutora de tempo e espaço. Uma tentativa de provocar a “instagramabilidade” do fisico. Do ponto de vista inverso, os fundos do chassis carregam marcas de tempo, nomes de moldureiros, registros de processo, assinaturas, media players, fios, parafusos e estruturas. Não diminuindo a importância do documento e da história dos trabalhos, mas deixando à altura do infraestrutural, do suporte.

*Trata-se dos lançamentos de obras de arte virtuais, ativos digitais únicos, na base de dados onde são armazenadas com segurança para possíveis transações comerciais.

Rudá Babau, curador